Candidaturas femininas no ABC: proporção de candidatas no ABC teve pequeno aumento
- Clara Araújo
- 5 de out. de 2020
- 2 min de leitura
Atualizado: 8 de set. de 2021
O número de candidatas concorrendo ao cargo de prefeita, vice-prefeita e vereadora no ABCDMRR aumentou 3,16% em relação às últimas eleições municipais, em 2016, segundo os dados divulgados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na última semana. As mulheres representam 33,3% das candidaturas da região nessas eleições.
O número ainda é pequeno e demonstra o longo caminho a ser percorrido para alcançar a equidade de gênero nas prefeituras e câmaras municipais da região. Atualmente, existem apenas quatro mulheres eleitas entre os sete municípios, o que faz com que a representação feminina seja menor que 3%.
Nas eleições deste ano, era esperado um aumento nas candidaturas femininas devido à aplicação da emenda que determina o fim de coligações partidárias paras cargos proporcionais. Dessa forma, a cota de gênero, que estabelece que 30% das candidaturas devem ser de mulheres, passou a ser aplicada por partido.
Apesar de as mulheres serem 45,8% dos candidatos à vice-prefeitura na região do ABC, elas são apenas 15,3% dos candidatos à prefeito. São Caetano do Sul é o único município que não possui nenhuma mulher concorrendo à liderança da prefeitura. Isso mostra como são preteridas em cargos de maior protagonismo. Em Rio Grande da Serra, por exemplo, todas candidatas à vice-prefeitura são mulheres, mas há apenas uma mulher concorrendo ao cargo de prefeita.
As mulheres negras (pretas e pardas) compõem 34% das candidaturas femininas no ABC, enquanto as mulheres brancas são maioria, representando 64,9% das candidatas. Esse cenário está em desacordo com a realidade nacional, já que, pela primeira vez, os candidatos negros são maioria nas eleições. Recentemente, foi aprovada a cota financeira para candidatos negros. Isso significa que a verba do fundo eleitoral dos partidos deverá ser distribuída de acordo com a proporção de negros na disputa.
Considerando que ainda estamos vivenciando um período de pandemia, há expectativas para que o número de abstenções de votos sejam maiores. Portanto, é importante considerar como esse cenário pode prejudicar o envolvimento das eleitoras. Na região do ABC, elas correspondem a 53,1% do total de eleitores. É possível que aquelas que estão no grupo de risco ou as que são mãe solo, por exemplo, se abstenham de ir às urnas.
Enquanto os espaços de poder não forem representativos da população, expondo uma democracia falha, medidas de reparação e de apoio vindas do governo e dos partidos são essenciais para o surgimento de mais campanhas competitivas, garantindo que grupos minoritários tenham mais chances de ocupar os espaços de poder. Uma representação mais igualitária da população é importante não só por uma questão de justiça social, mas para garantir que haja pluralidade de ideias, melhorando a qualidade da atuação dos governos locais.
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